A Boa-Morte de Caymmi

Soube hoje de manhã, vindo para a Festa de Nossa Senhora da Boa Morte em Cachoeira, que Caymmi morreu. Coincidência tão harmonicamente bela e incomum que só poderia acontecer com o buda-nagô. Mais ainda se pensarmos que hoje é Dia de São Lázaro – de Omolu, senhor das doenças, portanto.

Caymmi não morria antes talvez por preguiça de morrer – preguiça não como ócio, mas como negócio, como esta forma (altamente produtiva) de trabalhar que é bem baiana. Ou porque protelava sua morte para uma coincidência dissonante como um vento que assovia, como protelava por anos a conclusão de uma canção até achar o acorde perfeitamente incomum que tanto procurava e era no entanto tão óbvio.

A Casa Real de Oxum está em festa, lá no reino de Ifé, com esse monge chinês filho de Oxalá.

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10 Comentários

  1. Há várias formas de contar a Bahia. Caymmi escolheu a mais delicada e sensual, através de seus versos, seus acordes, seu canto…

  2. massa lucas! boa sorte aí com o blog.

  3. Sou filho de Xangô, viu? Preguiçoso, ma non troppo.
    hehehehe!

  4. Parabéns, Jerzy. E se precisar da ajuda de um desenhista mineiro mas preguiçoso, pode contar que ajudarei com prazer.

  5. achei o máximo, nada menos que isso!

  6. Terna, doce, sensível e espirituosa é a sua homenagem a Caymmi.O luto que ele deixa é de paz e tranquilidade, como a voz e o sorriso dele e como o mar mais calmo e azul da Bahia.

  7. amei o texto sobre Caimmy. Absolutamente perfeito.
    um beijo

  8. Uma ótima forma de começar um blog.

  9. Tá bem bonito, agora é só adicionar os recursos.
    Bem vindo a blogosfera!

    Por que essa tag, Beber?

  10. Perfeito, Lucas.

    Parabéns também pelo seu blog.

    Sucesso.

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