Baile Esquema Vila-Velha (e o fim da Boomerangue)

12/06/2010 23:44até13/06/2010 4:44

“A verdade é que não existem adultos”

Jean-Luc Godard, Elogio do Amor

Pela primeira vez o Baile Esquema Novo acontece num mês em que sua festa-mãe, a Nave, não existe mais; e pela primeira vez, fora de sua sede, a Boomerangue – que ia fechar para reforma grande (após terem sido feitos alguns reparos menores desde outubro de 2009), e acabou vendida e encerrada.

Entretanto, sem luto por ora, que o Baile promete. Pela primeira vez também o mítico Teatro Vila Velha recebe uma festa em seu palco principal, até o dia amanhecer. A festa será também o evento de lançamento da montagem de Os Enamorados, texto clássico da comédia del’arte de Carlo Goldoni, encenado na mesma casa. O cartaz está essa belezura aí acima.

Por falar em teatro, aproveito para divulgar a nova montagem do premiado grupo de bonecos A Roda. Além de novo pocket que circulou no fortamto teatro-na-caixa (montagens de duração de 5min), Adão & Eva, o grupo volta a ocupar o palco do SESI Rio Vermelho com O Pássaro Do Sol, baseado em disco infantil de Miryam Fraga com música de Carlos Pita. Desta vez A Roda envereda pelo teatro de sombras, muito usado na França do fim do Antigo Regime e reavivado pelo genial Michel Ocelot em seu filme Príncipes & Princesas.

* * *

Sobre o fechamento da Boomerangue, valem algumas considerações. Primeiro: não há nenhuma repetição de derrota em uma casa fechar depois de 4 anos de funcionamento, sempre cheia, e sem nunca ter tido nenhum momento de decadência.

Mais: quando esta casa desbravou um caminho que todo mundo achava que ia dar errado, o da pluralidade fora do axé-sistem (num tempo em que a dicotomia falsa axé X rock ainda reinava). Isto é: profeticamente, anteviu o Pós-Axé, e o fez acontecer.

E mais: quando a partir disso outros empresários embarcaram na onda, depois. Há 4 anos, só havia como alternativas a Boo e a Zauber – esta sem identidade clara. De lá pra cá, a Zauber foi empurrada pela Boomerangue saudavelmente a ocupar um lugar que não existia: uma boate de hip-hop e sons algo marginais da jamaica (raga, dance-hall, etc.), no centro da cidade (Ladeira da Misericórdia), com seu público vindo basicamente da Cidade Baixa e das “costas da cidade” (Liberdade, Tororó, Nazaré). Até então, eram orfãos de espaço. Não obstante, a Zauber passou a receber ainda mais artistas de peso da nova cena brasileira, vindos de outros estados, desde que a Boomerangue abriu – como há dois meses atrás, os pernambucanos Eddie.

Desde que a Boomerangue surgiu, bares mais sofisticados como o Marquês adivieram. E de outro lado, o Groove Bar, na Barra, contemplando o rock mais puro - o Groove a princípio não enxergava nem a Reforma Cultural Bahiana nem sua concorrente direta, contribuidora desta Reforma, a Boo; depois passou a enxergar, fez alguma força contra mas acabou unindo forças. Também por causa da Boomerangue.

Surge o Tom do Sabor, espaço multi-uso criado por João da Gama Filgueiras Lima, o Lelé, e que semana passada recebeu show de Otto com a Radiola. E que enche, de segunda a segunda, com o que há de mais sofisticado em experimentações intimistas na Bahia.

Surgiu o Botequim São Jorge, consolidado como casa de excelência em samba; e vários pequenos botecos que, apesar de pés-sujos, investiram na novidade estética – caminho aberto pela Boomerangue. Alguns destes botecos resolveram se aprumar e ampliar, como recentemente o Alí do Lado. E, desde então, o samba das sextas-feiras de fim de mês no Santo Antônio Além do Carmo ganhou importância nacional – recebendo em mesa aberta Elza Soares, Dudu Nobre e outros.

Notem: a Boo não mudou apenas, para melhor, o funcionamento do Rio Vermelho, nem do panorama musical e cultural da cidade. Mudou o funcionamento de outros bairros e ruas bem distantes de si. E, repito: durou 4 anos. Não um, nem dois, mas 4 anos. Numa época em que não havia, como hoje há, microcrédito cultural do Desenbahia nem a extensão do FazCultura para pequenos e micro-empresários.

Se isso é insucesso, eu quero ser mal-sucedido nesta vida…

* * *

Então, por que vendeu? Há quem esteja falando que foi pouco ético e gentil da parte de Alex Góes e seus sócios anunciar reforma por cinco meses pra só dizer que vendeu na última hora. Mas ninguém fica fazendo pequenas melhorias, e negociando fechamento para uma grande requalificação, pra gerar boato.

Deixemos o próprio Alex Góes dizer, então:

Hoje quero abrir um espaço aqui pra falar sobre o fechamento da minha casa de eventos a Boomerangue, que teve sua última festa na sexta passada, dia 04 de junho. Queria começar agradecendo as centenas de mensagens lamentando o ocorrido o que me deixa envaidecido ao realizar que a casa era muito mais querida do que podia imaginar e que realmente vai deixar saudades não só pra mim.

Aqui, cabe um comentário ao estilo de Luciano Matos: bahiano só se dá conta do que tinha quando perde, e só passa a entender o quão genial Salvador é quando vai embora.

É uma “Dublin de Joyce” nagô, não tem jeito. Inclusive pela umidade.

A verdade é que não há momento bom ou adequado pra se encerrar uma casa como a Boomerangue numa cidade carente de espaços como Salvador. A não ser que a deixasse morrer aos poucos e só passá-la adiante quando não tivesse mais nenhuma relevância. Mas isso eu não faria jamais, pois merecia final mais digno. Quando a idealizei há mais de quatro anos, disse pra meus sócios e amigos que o meu maior objetivo era criar um espaço que realmente fizesse uma diferença na noite da cidade e quebrasse com alguns paradigmas e preconceitos. Enfim, que deixasse uma marca e que não fosse mais uma. Com tudo que tenho lido nos últimos dias na internet, acho que conseguimos isso.
O maior motivador do encerramento da casa foi o cansaço físico e mental de quatro anos de noites perdidas e a absoluta escravidão que é ter uma casa com esse perfil. Só quem trabalha com a noite pode entender do que estou falando. Nada vale a pena quando a sua qualidade de vida está em jogo e acho que a casa só foi bacana enquanto esse cansaço não atrapalhou. O público não merece ter uma casa que não está sendo cuidada com tesão e muito gás e por isso optei por vender antes que isso acontecesse. Quero que as lembranças de todos sejam de momentos alegres, únicos e inesquecíveis.
Quanto à cena alternativa da cidade, ela sobreviverá como sempre sobreviveu. A Boomerangue não é a única nem será a última e nós inclusive tentamos vende-la pra alguém que quisesse dar continuidade às nossas atividades, mas ninguém se interessou. A reforma, portanto, ia acontecer agora no mês de junho, até que outra proposta nos foi feita e decidimos aceitar.

Nota: o empresariado bahiano continua rastaquera ao ponto de não querer comprar e manter uma boate que é referência Brasil afora…

Por fim, quero agradecer mais uma vez a todos que de alguma forma criaram e participaram de momentos mágicos nos últimos anos.

* * *

Não demorou para que os xiitas camisas pretas viessem gritar domingo no twitter que a Boomerangue fechar é prova de que Salvador não presta, continua axezeira – e até pedirem pela volta do Idearium e do Calipso, dois bueiros insalubres, verdadeiros guetos a que o rock (e só o rock, porque a dicotomia falsa reinava) foi empurrado pra sobreviver ao axé-sistem dominante.

É saudades do lanho, como aquela personagem de Chico Anysio que dizia:  ”Meu marido não me ama mais - nunca mais apanhei dele.”

(Aliás, não sei que milagre as gralhas-do-caos não culparam o Secretário de Cultura Márcio Meirelles pelo fechamento da Boomerangue – muito mais relevante do que a falência do Teatro UEC. Talvez porque no caso da Boo não tenha sido falência alguma – e até pra produzir factóides tem de ter base na verdade…)

Como se vê pelo que eu disse, e pelo que o próprio Alex disse, não é nada disso.

Quem fez coro aos xiitas camisas-pretas? Os últimos defensores do Axé-Sistem, claro! Ildázio Jr, no péssimo Bahia Notícias (mais axezeiro impossível), diz estar sentido por que “o fechamento da Boomerangue é mais uma prova de que na Bahia só o Axé dá certo”. É como um jagunço matador que vai chorar no enterro do seu encomendado.

Conclusão? Como eu digo desde que me entendo por anti-axezista: nada mais pró-axé do que os xiitas camisas pretas que vaiariam Armandinho Macedo há 5 anos atrás e que nunca pegaram uma pipoca de carnaval na vida. Certo está o Pagodão, que embora empurrado pelo rock para dentro do Axé-Sistem, não se rendeu esteticamente, se renova, e é francamente popular. E, ah!, sofre tanto ou mais problemas midiáticos, financeiros e de espaço quanto o rock (como frisa Letieres Leite naquela entrevista sobre a canção) – ou talvez piores, já que não são branquinhos nem moram na Pituba nem fazem um som “inteligente e sofisticado”.

* * *

Outra xiadeira foi do tipo: “O que será de nós, órfãos da Boomerangue? Para onde iremos?”. É incrível como a Capital da Diáspora teme a Diáspora – ela que fez crer que apesar de tanto não, tanta dor que invade, a Diáspora pode ser a plumagem da noite espalhando luz do sol.

Ora, é ter muito pouca visão sistêmica pensar isso! A Boomerangue abriu espaços fora dela, não apenas físicos e geográficos, como lógicos e estéticos. Que as festas e eventos geniais que ela gestava possam agora colonizar outras plagas, é benígno!

Um exemplo já vai ocorrer: a Br!nk5, festa que radicaliza a panssexualidade teen experimental, vai ser na ultra-gay-adulto-endinheirado SanSebostian (de “sebo”, não de “bosta”). Já imaginaram que efeito de “implodir gueto” isso pode ter? Justamente efeito similar ao que o Marquês tinha e a um ano atrás ficamos órfãos?

A realidade é dinâmica – uma vez que você a altera, ela continua por inércia sem você em alguns casos. Outro exemplo disso: a Pituba tem uma zona boêmia consolidada, importante, e planejada (o que o Rio Vermelho não é – e aí louros a Antonio Imbassahy pela reforma da Avenida Manoel Dias & adjacências), a Rua Minas Gerais. Que fica a duas quadras de uma área residencial – a Rua Amazonas. Que é largamente mauricinho e axezeira, mas que tem putas e travecos na rua. Uma mistura inusitada! E se houver um Baile Esquema Novo ou uma Top Top por alí?

Quem sabe com isso a Zauber não ganhe outro folego, em outra dimensão e estilo, sem perder o que já ganhou? E o Tom do Sabor, que abriu mão do restaurante pra ser só pista? Não vai abrigar parte do que foi da Boo? (aliás, não já abriga?)

Quando a SalaDeArte do Clube Bahiano de Tênis fechou pra dar lugar a Perini Delicatessen (que desmatou uma das entradas do arborizado bairro da Graça…) foi a mesma comoção. Parecia que o cinema de bairro e autoral em Salvador, que começava a se reerguer, iria morrer de novo. Negativo: são hoje 6 salas, num ritmo de abrir uma por ano desde 2004; duas das quais inacreditavelmente no Itaigara. E surgiu o Unibanco ArtePlex Glauber Rocha, no vácuo deste vetor econômico. Sem tragédia.

Estamos no fechamento do primeiro ciclo do Pós-Axé ou da Reforma Cultural Bahiana, e entrando num novo ciclo (novamente, quem me lembra disso é Luciano) – este não é o primeiro sinal disso, e alguns destes sintomas são muito exitosos. A noite de Salvador é muito maior do que o Rio Vermelho – falta descobri-la. E a Bahia é maior do que seu Recôncavo e sua Reconvexa. 

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13 Comentários

  1. Lucas,

    Adorei seu texto! Moro perto da r. Amazonas e os travecos é o que há de mais interessante na cena do meu bairro insosso. “E se houver um Baile Esquema Novo ou uma Top Top por alí?” Espero que alguem concretize essa idéia!

  2. É lamentável o fim da Boomerangue. É verdade que ela plantou uma semente cujo o fruto mais evidente está na forma como o Rio Vermelho se tornou o principal pólo de diversão noturna pra boa parte dos soteropolitanos. Por outro lado seria salutar que seu prognóstico se confirmasse e os espaços “alternativos” ou de “pós-axé” se espalhassem. O Rio Vermelho já demonstra sentir a falta de estrutura, com engarrafamentos noturnos e falta de estacionamento.
    Acredito que se existisse um órgão municipal atento para a cultura, empreendedorismo e turismo, não seria difícil estender o clima de boemia do Rio Vermelho à Amaralina. O Largo das Bahia ostenta hoje, especialmente à noite, um ar decadente apesar da reforma recente na sua estrutura. Contribui para isso a aberta prostituição, marcada pela presença de casas noturnas afins. Não faço nenhuma ressalva moralista, apenas observo sob o pondo de vista da atratividade da área para empreendimentos como restaurantes e outros. Dotar a Orla de Amaralina de segurança e opções gratuitas para as noites traria uma movimentação de pessoas que estimularia a área. A Pituba é um Bairro residencial e, havendo a sensação de segurança, as pessoas seriam estimuladas a ir andando beber à vontade.
    O evento da Vivo na área do antigo Português é um amostra de que existe demanda. O entorno da MAnuel Dias precisa ser zelado. Do contrário a cidade encontrará uma nova área nobre deixando para trás decadência como já fez com a cidade baixa.
    Voltando à Boomerague, há uma característica de lá que não vejo replicada. Lá a diversidade era ímpar em Salvador. Era um espaço em que vi juntos liberais e conservadores em diversas áreas. O espaço não foi tachado de gueto GLS, reduto do rock ou zona livre para drogas. O lugar era símbolo do plurarismo sem julgamentos que deveria pairar na sociedade. Quando a Boomerangue abria espaço para um som mais pop, os roqueiros fundamentalistas deixavam para ir na noite seguinte. Quando a atração tangenciava o teen, a velha guarda abria passagem ou fazia uma careta para as novidades como costuma acontecer com os que não percebem que sua rebeldia envelheceu. Alguns dos lugares citados em seu texto são excelentes, mas não tem a marca de ser um bom espaço para um público rão diverso.

    • Falta de estacionamento não é problema, é solução. Citando o grande prefeito Enrique Peñalosa: vaga de carro não é um problema público nem um direito garantido em qualquer constituição. O Rio Vermelho tem estacionamentos demais (inclusive o absurdo de se estacionar sobre calçadas e não ser rebocado). Retire metade deles, e amplie a área de pedestres, e aí sim você vai ver do que o Red River é capaz de ser…

      A diversidade democrática da Boomerangue já começou a contaminar outras casas: o Ali do Lado, ultra-hetero, tem recebido um bando de viado numa boa, e o Samba das Moças (cujo público é gay, basicamente) tocou lá várias vezes a convite do dono. O Groove Bar recebeu, repito, Retrofoguetes, Rónei Jorge e Vivendo do Ócio este ano e perdeu ranço homófobo, segundo soube. Na Zauber nunca houve problema de transito de vários públicos: do sambão ao dance hall, do heavy metal ao hip-hop – sexta mesmo havia paquera e casais gays no show da ultra-hetero Vendo 147. Este processo já estava em marcha desde antes de a Boomerangue fechar – tudo indica que se acelera doravante.

      Até porque a Boo não mudou espaços físicos no Rio Vermelho, apenas; ajudou a re-abrir e mudar a mentalidade subjetiva de parte considerável de Salvador. Inclusive dos rockeiros que passaram a lembrar qu certo axé é invejavelmente bom.

      De resto, quem achou que havia crise devia ter ido no Baile Esquema Novo ontem no Vila Velha: muito cheio, mais de 500 pessoas facilmente, o climão de conhecer gente nova e se mistura do Baile estava lá; muita gente que nunca tinha ido, foi; muito mauricinho axezeiro foi (o que quando acontecia na Boo desvirtuava o clima do Baile, e ontem não: o clima ficou intacto). E com um efeito fenomenal extra: gente andando pelo Campo Grande 2h da manhã, e o Passeio Público (com iluminação nova) servindo de lounge. Começo a achar que a Boomerangue fechar pode ser benigno mesmo: sair do bunker para o campo de batalha, e retomar as ruas da cidade.

    • Sobre o povo da Pituba usar o bairro de modo pedestre se tivesse segurança, não é verdade. Primeiro que vai nisso uma falácia de inversão causa-efeito: é haver pedestres que dá segurança, e não tanto a segurança que faz haver pedestres. Segundo que a Pituba tem uma infraestrutura pedestre e cicloviária excelente para os padrões de Salvador, e nego só usa carro; a Barra e o Rio Vermelho tem infraestutura pedestre e cicloviária deprimente de ruim, e a população (de classe média inclusive) anda e pedala muito mais.

      Carrocomania é doença mental, como toxicomania e alcoolismo. Não tem tanto a ver com infraestrutura assim…

  3. Não se faça de bobo que vc já praguejou a San Sebastian para quem quisesse ouvir e acreditava não durar dois meses em Salvador por ter como base a tríade paulistana de noite gay, malhados sem camisa, ecstasy e carão. Sem falar no Groove Bar que vc sempre afirmou ser um quintal de Curitiba na “aldeia-mundial-cosmopolita-nagô-reconvexa-xibieteira-diaspórica” e que estaria fadado ao fracasso desde a concepção, o que realmente concordo em termos, principalmente pelo mal gosto curitibano que é notório até no banheiro. E no entanto estão aí, vingaram em Salvador, e daí perguntar se vivemos mesmo ou não o “pós-axezismo” que vc tanto apregoa. Aliás vc mesmo, que tanto critica sistemas que pensa ser de outrora como o axé e o carlismo, reproduz alguns padrões destes como a irascibilidade e a tentativa de ridicularizar o seu interlocutor. Vou usar o mesmo argumento que vc levantou contra Geddel, do qual comungo, quem dá cara a bater tem que ser provocado, no seu caso como mantenedor desse blog nada impede que seja cutucado pelos leitores. Estes é que não podem ser alvo de suas reações histéricas. Vc decide, ou é Lord da Graça ou Wilde do Porto da Barra, sugiro que segure a segunda opção, pois não corre o risco de escorregar na polidez. Só quero esclarecer também que sou menina e não bicha, e sigo com fake, pois é minha opção, sou leitora e não blogueira, o que faço apenas é comentar imediatamente um texto que acabo de ler, comentário que deverá passar pelo seu crivo. E venho sempre e sempre vim a este blog, por mais que discorde muitas vezes não da essência do que veicula, mas da forma que mostra as opiniões. E continuarei vindo, pois me interesso pela sua versatilidade de abordagens e o espírito flaneur de ver a cidade e os ambientes, embora eu o perceba amiúde equivocado.

    • 1) Eu continuo achando a SanSebostian uma desgraça colonialista;

      2) Eu mesmo disse que falava mal do Groove Bar – como uma desgraça colonialista. Mas mudou de postura, e portanto também mudei;

      3) Disse que estaria fadado ao fracasso se não mudasse e aderisse a Reforma. Mudou e aderiu – talvez para não fracassar;

      4) Padrão carlista é fazer o marronzismo de vir comentar num blog sem usar nome próprio, sobrenome, ou um email real. A única carlista aqui é você;

      5) É mulher? Já fez a operação de mudança de sexo então? Foi pelo SUS ou particular?;

      6) Quem não deu a cara pra bater aqui, querida, foi você que continua se escondendo sobre codinomes e não usa para aqui publicar um email real e ativo. Eu inclusive tanto dou minha cara pra bater que aprovo a maior parte dos seus comentários, quando teria motivo de sobra para não fazê-lo: são grosseiros, inconsistentes, e vem de alguém que posta como fake;

      7) Este blog, ou nenhum blog, é espaço democrático. É um espaço meu que eu pago para manter, com meu dinheiro. Se eu não quiser publicar comentário nenhum, é problema meu. E mais: pago com meu dinheiro e uso nome e sobrenome reais. Não me escondo. Já que caiu no geddelismo, vamos lá: disse eu um dia recente ao ex-Ministro que quem tem de manter-se longe de agressividades verbais e inquirir-se sobre suas contradições é ele, que é político, e não eu, que sou apenas cidadão e blogueiro;

      8 ) Você não é sequer cidadã. Exercício de cidadania, segundo a Constituição de 1988 (que você não segue) implica em não usar do anonimato para livremente expressar idéias. Você usa;

      9) Reação histérica é vir publicar 4 vezes seguidas, comentários eivados de grosseiria, usando nome falso e email que não existe;

      10) Vou repetir: eu posso reagir aos meus leitores como eu bem quiser! Eu pago este espaço, vocês não. Não gostaram? Podem recorrer a justiça. Por que? Porque eu não me escondo sob nome e endereços falsos. Se eu quisesse te processar (e motivos para tal já não me faltam) não poderia. Por que? Porque você se esconde sob um nome falso. Minha hipótese é que você é tão incomível que tem vergonha do próprio si;

      11) Nem Lord nem Wilde. Marcel Proust. Se você prestasse um mínimo de atenção ao que lê, faria piadas melhores;

      12) Seguir com fake não é opção. Neste país é crime constitucional. A Constituição permite a livre expressão, vedando o anonimato. Como não posso te processar, enquanto você aqui postar comentários que eu ache relevantes, mas o fizer com nome falso e email que não existe, será escarnecida em público como tem sido. Use nome real e email real e será bem-tratada. Não é nada demais o que eu peço e digo: é apenas o cumprimento da Carta Magna de meu país;

      13) A forma como mostro minhas opiniões é transparente, legal e aberta ao debate. A sua é pusilânime, criminosa e falsária. Faça de modo civilizado (isto é: usando nome e sobrenome reais, e um email que funcione), e eu tratarei de modo civilizado;

      14) “amiúde”, ui! Ai!, Dicionário em punhos, ela me elogia. Aviso: elogio de fake mau-caráter pra mim é crítica. E não venha mais aqui: você não é bem-vinda.

      • Por fim, um aviso:

        MAIS UM COMENTÁRIO SEU AQUI COMO FAKE E EU VOU RASTREAR SEU IP E ABRIR QUEIXA-CRIME!

        Estamos entendidos?!

        (não preciso dizer que doravante todos os comentários desta pessoa estão marcados como spam. Ou seja: eu nem leio mais, nem recebo email de aviso).

  4. Quando a SAN SEBASTIAN abriu vc vociferou que jamais um empreendimento inspirado na The Week vingaria em Salvador, dado o grau de “xibietagem” dos soteropolitanos “pós-axezistas” (sic). No entanto, a boate está a mil, tem se fortalecido, inclusive agregando festas da finada Boomerangue, e não adianta discurso de pós-axezismo nem qualquer outro ismo, pois o que não tem qualidade, cacete armado, é que não pode perdurar em Salvador, por mais que esses “xibieteiros” de canga insistam nesses armengues. De outro lado e com outro público, um bar cujo fim já foi decretado por vc também continua firme, mesmo com noites de covers e não sendo aberto à “diversidade”. Acho que vc tem de rever seu discurso, Salvador está num momento em que, assim como no governo do Estado, resgata velhas condutas revestidas de novos vernizes, mas que na essência comungam do mesmo código de idéias e valores.

    • 1) A SanSebastian eu nunca disse que não ia vingar. Eu disse que atende a um público de viadinhos paulistanóides (muitos dos quais, como você, se esconde atrás de nomes inexistentes e usam emails falsos para colocar comentários impertinentes e cheios de auto-erotismo intelectual em blogs que reputam imbecis – mas que ainda assim seguem. Talvez seja masoquismo…);

      2) e mesmo ela, como você mostrou, está mudando – voluntariamente ou por efeito colateral, mas mudando;

      3) o Groove Bar é uma boate. Eu não disse que ia fechar. E eu disse neste mesmo texto (essa bicha além de masoquista e falsária, é disléxica) que o Groove mudou de postura e resolveu aderir a Reforma Cultural, e isso já tem tempo. E eu não sou o único a dizer isso. Ou o Rónei Jorge não tocou lá três vezes esse ano, o Retrofoguetes duas e o Vivendo do Ócio uma? Eram autores dos quais o Groove Bar há um ano atrás não queria nem saber da existência, e tinha raiva de quem soubesse…;

      4) eu revejo meu discurso no dia em que você postar aqui com nome e sobrenome reais e email válido. Estamos combinados?

      5) por causa disso, seu segundo comentário será rejeitado, como tem sido em geral todos os seus. Comente usando nome e sobrenome real e um email válido, e tê-los-á aprovados com mais frequência, e recebendo respostas mais acolhedoras de minha parte.

  5. Gostei muito do texto.

    muito mesmo.

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